domingo, 29 de junho de 2008

Mulher coragem

"Promessas e mais promessas.
Muitas.
Depois o silêncio. Mas...mas...
"Mas o quê? Estou aqui, não estou?"

Não.
Nunca estiveste.
Desde o início. A tua insegurança necessitava sempre da aprovação do ventre estéril de mulher velha e seca, nunca parida nem amada.
E tu deixavas-te enganar.
Ela prometeu-te a lua.
Tu acreditaste.
Ela vendeu a lua e prometeu-te um asteróide.
Tu acreditaste.
Ela desfez o asteróide e prometeu-te o pó.
Tu acreditaste.

E nós, que nunca fomos nós?
E nós, que nunca existimos?
E nós, que não tínhamos os nossos sonhos e planos. Só os dela. Cada vez mais velha, seca e amarga.
Cada vez mais "matriarca".

Cansei-me desta relíquia bolorenta e manipuladora.
Fartei-me da figurinha seca e insignificante que manobrava na sombra.
Porque tive de casar com ela também?

E também me cansei de não seres Homem.
Achei rídicula toda a tua pose, gabarolices, vaidades, tráfico de influências que nunca tiveste...e entravas em casa sempre de bochechas descaídas, vencido da vida, mais uma vez desempregado a exigir-me sacrifícios.

E eu cumpria.
Mas por dentro, tinha vergonha de ti.
Vergonha de tanta vaidade sem razão.
Vergonha de não assentares.
Vergonha de não cresceres, de pensares que bastava o nome de um antepassado para te abrir a vida.
Vergonha da nossa vida fingida.

E cansei-me de não seres Homem.
Cansei-me de ti e do teu silêncio.
Cansei-me de nunca me dizeres que era importante na tua vida.
Cansei-me de nunca me dizeres que tinha feito algo bem.
Cansei-me de ser tratada como se fosse a pessoa mais estúpida do mundo.
Cansei-me de ser usada por ti.
Cansei-me de procurar Amor onde só havia um ser oco e cuja vaidade eu alimentava.

Fartei-me da tua necessidade de aprovação da eterna maquiavélica relíquia.
Fartei-me de não ter futuro.

Desesperei de ouvir "não te chega?"...quando até tinha de pagar as prendas que me davas...a gozar, carrinhos de brinquedo. Ou da pulseira que me entregaste num embrulho desfeito por outro alguém...Não sabes, mas nunca a usei, não era para mim. Tu não sabes que eu sei.

E o teu ar engravatado de importante, fresco pela manhã...depois de noites vazias...nada...nada...nada!

Cansei-me de estar casada sem o estar.
Sem companheiro que se esforçasse por mim.
Sem um ombro amigo.
Cansei-me de te ver derramado no sofá em frente da TV.
Cansei-me dos teus pés que não paravas de esfregar!
Cansei-me de seres gordo ...e vaidoso.
Cansei-me do teu ar de superioridade, como se detivesses a verdade universal...e depois lá ias, de orelha murcha, pedir mais uma benção à titi-relíquia.

E tinha vergonha de ti por seres diferente e indiferente.
Cansei-me das noites sem nada.
Cansei-me da lingerie, dos perfumes e das velas...para nada!
Cansei-me da comida picante, exótica e erótica...para nada!
Cansei-me de passar as noites sozinha na tua digestão do jantar...
Cansei-me de não ter manhãs de domingo.
Cansei-me da minha solidão presa num casamento que nunca o foi.

Acabou por fim!
Ironia: tenho de agradecer esta libertação à relíquia, que sempre quis desfazer este nó e por fim conseguiu.

Tu, figura oca de vaidade, vira a página e segue a tua vida.
Eu estou farta de ser virgem!"

http://avelhamenina.blogs.sapo.pt/

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Na mais profunda tristeza

Num dos dias passados disse-te que já não conseguia chorar, sentio-o pela primeira vez, e as tuas lágrimas caíram-me ao lado, desejei que fossem minhas, de alegria, porque tudo o que eu queria estava diante de nós.

Hoje fiz força, precisava. Para esquecer este sabor amargo que trago na boca. Precisava de me sentir pequenina, de voltar aos meus 12 anos quando em silêncio me refugiava debaixo da cama e fingia que nada ouvia e nem via. Quando me sentia só e incompreendida, quando me abandonavas, quando sentia que tudo me competia, quando cresci.

Hoje entendo uma pessoa muito especial quando me disse que estava a secar. Desculpa, só agora te entendo. Quando é assim, deixamos de nos ver, só procuramos que alguém nos regue. Nas minhas infinitas procuras, são mais os desertos que os jardins já não os consigo ver.

Não digas que já não me consegues ajudar, por favor, tinha essa esperança. Ou então deixa-me pensar que consegues, assim já vale a pena.

Sei que não vemos as coisas com os mesmos olhos, que não estamos unidas (só o senti uma vez) , queria muito afinal não é isso amar? Diz-me se devo partir ou ficar.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Terrível

Num mundo de relações complexas, que muitas vezes esvaziam a liberdade individual, uma empresa ganha destaque ao especializar-se em forjar álibis para as nossas mentiras. Um site francês, lançado recentemente, oferece álibis a quem quer ter relações extraconjugais sem levantar suspeitas. Os serviços de "pequenas mentiras pagas"do site Alibila incluem telefonemas a informar sobre reuniões de trabalho de última hora, convites de eventos e seminários inextistentes e até falsas facturas facturas de restaurante para "comprovar" jantares de negócios.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Biquini pequenino às bolinhas amarelas

O fim das aulas já lá vão chegando,
E as férias grandes já vão começar.
Pra dar nas vistas quando eu for à praia
Uma surpresa estou a preparar

(neste verão eu vou causar sensação)Refrão

É um biquíni pequenino às bolinhas amarelas,
Que eu vi numa loja ao pé do liceu..
Biquíni pequenino às bolinhas amarelas,
Que eu vi numa loja e agora é meu.

(queres apostar o amarelo é que está a dar)
Quando eu passar bronzeada na praia,
Desfilando como um manequim
Sei que os rapazes vão ter simpatia
E as raparigas inveja de mim.

(neste verão eu vou causar sensação)

Refrão

É um biquíni pequenino às bolinhas amarelas,
Que eu vi numa loja ao pé do liceu..
Biquíni pequenino às bolinhas amarelas,
Que eu vi numa loja e agora é meu.

(queres apostar o amarelo é que está a dar)

No fim do verão acabadas as férias,
Não te admires se a praia ficar
Cheinha de bolinhas amarelas
Que o amarelo é que está a dar

(neste verão eu vou causar sensação)

Refrão

É um biquíni pequenino às bolinhas amarelas,
Que eu vi numa loja ao pé do liceu..
Biquíni pequenino às bolinhas amarelas,
Que eu vi numa loja e agora é meu.
A receita do sucesso...não são lenços nem fivelas,
É apenas um biquíni às bolinhas amarelas.

terça-feira, 8 de abril de 2008

quinta-feira, 27 de março de 2008

Continuando

"Ninguém jamais conseguirá viver sem Sonhos. E nunca conseguirá procurar a felicidade sem tentar alcançar os seus Sonhos. Esta será uma realidade para a qual toda a gente estará mais ou menos disperta, no entanto a nossa Vida não é linear.Pior que não ter Sonhos é desistir de os tentar cumprir ou alcançar... Desmotivar e parar... Viver na ilusão de que tudo está bem... Acomodação à "realidade"... Não pensar por si e aceiar o que os outros dizem, só "porque sim"...Na nossa vida tudo tenderá para a acomodação (equilíbrio), não seja o Homem um animal na Natureza, em que tudo tende para o equilíbrio mais fácil (mais rápido e mais estável possivel). Esquecemo-nos então que a mesma Natureza em que nos inserimos deu-nos a capacidade de pensar e de Sonhar...As Desilusões são constantes neste processo, sejam elas profissinais como a falta de reconhecimento de quem nos deveria defender; sejam elas pessoais como a traição daquele amigo ou os sentimentos de outro... Todas estas coisas nos magoam, e todas estas coisas nos tornam diferentes...Há quem diga que a Dor nos mantém vivos. Mas sendo isto verdade, a dor também nos pode matar, mesmo estando "vivos" e de olhos bem abertos...Senão pensem comigo: qual o objectivo da vida de alguém que não tem sonhos?" Nuno Monteiro

Ardem-me os olhos

Traz-me pétalas de algodão e estrelas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Medo de crescer

'...Descubro que o tempo não mudou sozinho… e que, mesmo quando estugava o passo, consegui sempre acompanhá-lo. A minha visão do mundo amadureceu à medida que a vida contava os dias. Agora que passo mais tempo longe de ti começo a compreender realmente o peso das saudades que já não são horas ou dias, mas semanas… Percebo que me fazes falta com uma intensidade que ao crescer não pára de me surpreender…

Queria poder correr para ti ao fim de cada dia e esconder o meu cansaço do dia que desponta no conforto dos teus braços. A cada momento que passamos longe um do outro se somam esta vontade cada vez mais premente de acordar ao teu lado e a certeza de que um dia vou poder fazê-lo. E isso deixa-me mais feliz do que algum dia pude antever. Quero estar contigo… para sempre… calcorrear todos os caminhos em que imprimas o ruído dos teus passos e ser parte integrante de cada um dos teus sorrisos… Quando as estrelas dos teus olhos brilharem quero ver o meu reflexo… Quero juntar os teus traços aos meus e criar algo de belo que empreste um pouco de magia a cada um dos dias que, espero, não nos cansemos nunca de escrever...

Quero, enfim, um pouco dessa doçura que a vida às vezes empresta a quem nunca desiste de enfrentá-la e que eu só encontrei quando me apaixonei por ti… Por isso, promete-me que ficas comigo e não terei mais medo de crescer… porque se as sombras do meu caminho forem o eco das do teu, então vale bem a pena correr atrás do tempo…' Cfrosta


Esse medo que todos nós temos e que nos faz avançar e recuar tantas vezes. Se estiveres aí fica mais fácil. Beijo grande para ti

sábado, 2 de fevereiro de 2008

:-D :-D :-D EXCELENTE

http://videos.sapo.pt/Jqim3j5WTIg9lCb2lpf4

Hoje apetece-me ter dinheiro ;-)

O dinheiro não traz felicidade — para quem não sabe o que fazer com ele.Machado de Assis

O cofre do banco contém apenas dinheiro. Frustar-se-á quem pensar que nele encontrará riqueza.
Carlos Drummond de Andrade

.... Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.
Dalai Lama

O dinheiro é uma felicidade humana abstracta; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele.
Arthur Schopenhauer

O dinheiro não é tudo. Não se esqueça também do ouro, os diamantes, da platina e das propriedades.Tom Jobim

O dinheiro não dá felicidade. Mas paga tudo o que ela gasta.
Millôr Fernandes

O que o dinheiro faz por nós não compensa o que fazemos por ele.
Gustave Flaubert

O dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.
Millôr Fernandes


O dinheiro não só fala, como faz muita gente calar a boca.Millôr Fernandes

Eu quero dinheiro apenas para ser rico.
John Lennon

Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro. Mas, custam tanto.
Groucho Marx

O dinheiro compra até o amor verdadeiro.
Nelson Rodrigues

O dinheiro não traz a felicidade. Manda buscarMillôr Fernandes

Catarina

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Uma mensagem para o 2008 de quem nos visita

Bons filhos conhecem o prefácio da história de seus pais Filhos brilhantes vão muito mais longe, conhecem os capítulos mais importantes das suas vidas.
Bons jovens se preparam para o sucesso. Jovens brilhantes se preparam para as derrotas. Eles sabem que a vida é um contrato de risco e que não há caminhos sem acidentes.
Bons jóvens têm sonhos ou disciplina. Jovens brilhantes têm sonhos e disciplina. Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas, que nunca transformam seus sonhos em realidade, e disciplina sem sonhos produz servos, pessoas que executam ordens, que fazem tudo automaticamente e sem pensar.
Bons alunos escondem certas intenções, mas alunos fascinantes são transparentes. Eles sabem que quem não é fiel à sua consciência tem uma dívida impagável consigo mesmo. Não querem, como alguns políticos, o sucesso a qualquer preço. Só querem o sucesso conquistado com suor, inteligência e transparência. Pois sabem que é melhor a verdade que dói do que a mentira que produz falso alívio. A grandeza de um ser humano não está no quanto ele sabe mas no quanto ele tem consciência que não sabe.
O destino não é frequentemente inevitável, mas uma questão de escolha. Quem faz escolha, escreve sua própria história, constrói seus próprios caminhos.
Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar.
Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia vai além, aprende com os erros dos outros, pois é uma grande observadora.
Procurem um grande amor na vida e cultivem-no. Pois, sem amor, a vida se torna um rio sem nascente, um mar sem ondas, uma história sem aventura! Mas, nunca esqueçam, em primeiro lugar tenham um caso de amor consigo mesmos.

(Texto Augusto Cury)

E façam o favor de ser felizes ;-)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Filhos, não obrigada! 16 razões para não cair em tentação :-)

1- Parto, uma tortura
"O parto é doloroso e mesmo com a epidural está longe de ser um acto de prazer" Corinne Maier

2- Biberão ambulante
A amamentação está na moda mas é um acto muito doloroso

3- Fim do divertimento
Depois de ter um filho vai passar a viver ao ritmo das crianças, estará dependente do calendário escolar e da disponibilidade da avó

4- Rotina, instala-se
Levantar todos os dias à mesma hora, ir levá-las à escola, ir a correr para o trabalho e repetir tudo isto no dia seguinte, é uma tarefa cansativa

5- Amigos fogem
Quando alguém se apaixona consegue falar horas e horas sobre as qualidades da pessoa que ama, o mesmo sucede depois de ser mãe

6- Fim do erotismo
Imagina o filme Nove Semanas e Meia com um filho no quarto ao lado?A temperatura desce rapidamente para os nove graus e meio

7- Apenas mãe
Depois do nascimento de um filho, as mulheres passam a ser vistas apenas como mães e não como mulheres

8- Aliado do capitalismo
Para ser um pai ou mãe dignos desse nome, tem que consumir forçosamente

9- Crueldade infantil
O seu filho é como o seu cão, se fosse duas ou três vezes maior, seria um animal feroz - o seu pior inimigo

10- Produtos de luxo
Ter um filho é mais caro do que comprar uma viatura de luxo ou fazer um cruzeiro à volta do mundo

11- Ocupá-los, uma dor de cabeça
Se no passado as crianças brincavam na rua, hoje são poucas as que têm esse privilégio

12- Datas castigo
As férias e o Natal são dois aborrecimentos gigantes dos quais os pais não podem fugir

13- Sofrer desilusões
O seu filho vai desiludi-la forçosamente

14- Abandonar os sonhos
"Não posso deixar o emprego que odeio por causa dos meus filhos"

15- Mãe ou profissional
Ser mãe significa perder dinheiro e oportunidades

16- Crianças sem futuro
Sacrificar amigos, carreira, harmonia conjugal para gerar futuros perdedores, desempregados ou trabalhadores precários?

in Happy Woman

Catarina

domingo, 2 de dezembro de 2007

Bem vinda

A partir de hoje este blogue será partilhado com a minha amiga Catarina a quem "alojei" :-) , não sei se temporariamente.

Catarina, sem tempos nem pressas, a casa também é tua. Um grande beijinho, flores (muitas) e desejo de grandes vôos para ti

abelhinha

sábado, 17 de novembro de 2007

Era uma vez um rapaz

Hoje voltei até aqui entre dualidades, confusão e transtornos e parece mesmo que já nem te conheço. Agradeço a quem não devo, culpo quem é inocente. Faço tudo ao contrário. Brinco com o meu "eu" e desafio o meu "mim". E mais uma vez não consigo escolher, e olho para trás infinitas vezes. E quero, e desejo, e sinto falta, sinto muita falta, e mais do que tudo tenho necessidade, muita necessidade de segredar em gritos o que sou, o que fui e o que faço e exibir os meus troféus. Perco todas as discrições e a timidez (que tu tanto aprecias ) e revelo-me meio-rapaz/meio-homem usando as minhas estratégias, as minhas velhas estratégias.
Deixo saltar a culpa, desdobro-me em agradecimentos que se perdem nos passos e despejo quase meio do meu passado. Como gostava que me entendesses... e como gostava de vestir a tua pele nem que fosse só por um dia, para nos compreedermos, para chegarmos a um entendimento, para que pudesse dar-te o meu relógio. Como gostava de te dar da minha energia para quebrarmos este gelo, mas essa eu também não sei por onde anda.
Vivemos dias diferentes em meses diferentes e eu só quero que me digas o que pensas, que me digas que as minhas vitórias também são as tuas, que festejes comigo esta alegria, enfim... que abras o teu casulo, nem que seja para me contares histórias...e eu escrever, quando me calar.

'Era uma vez um rapaz que era dois. Um deles nunca tinha lembranças do outro, e o que é mais, um nunca tinha influência na vida do outro; cada um era o que era por separado e assim, com uma assombrosa pontualidade, a pontualidade com que os astros marcam o solstício, dava-se a estranha metamorfose. Na primavera, e mais ainda no verão, poderia garantir-se que este rapaz era o sol; mas no Outono, e mais ainda no Inverno, este rapaz era indubitavelmente a lua: a sua pele ficava pálida e os seus cabelos transformavam-se em arame, com calas brancas e outras grisalhas. E o rapaz andava sempre muito triste no Inverno, ao contrário do que sucedia no verão: a sua pele era morena, e o seu cabelo liso, e o próprio riso fazia-o despertar de manhã bem cedo.

A sua mãe preocupava-se muito com o fenómeno das mudanças; correu com ele um sem-fim de especialistas, que lhe faziam toda uma panóplia de exames e análises, e mandaram que engolisse milhares de comprimidos; de manhã, à tarde e à noite; só que os especialistas do Verão nunca concordaram com os médicos do Inverno; e os especialistas da transição só diziam coisas sem nexo, antes de concluírem agora, minha senhora, é preciso esperar para ver.

Até que um dia o rapaz que era dois desapareceu: passando numa rua habitual, sentiu duas mãos agarrá-lo para junto de uma pared
e branca. O mais estranho é que não eram só aquelas duas mãos que o agarravam; era também quem ia atrás daquelas mãos, alguém que afinal tinha muito mais do que duas mãos, tinha duas vontades. E de um momento para o outro, quando estava todo encostado à parede, à sua volta tinha crescido um estranho casulo.

A seu lado lá dentro, estava uma rapariga que era meio flor, meio lobo; queria florir na primavera e queria ser um lobo no inverno; queria ser verde e respirada pelos outros, e queria poder uivar nos promontórios; e não importava que o vento gélido retumbasse as folhas amarelas, nem a tristeza íntima de tudo.
Ele nunca mais voltou a sair daquele casulo, e ela também não; ficaram encostados a uma parede branca, pela qual passam diariamente milhares de pessoas, no meio delas a mãe do rapaz, cada dia mais triste, e todos os especialistas a caminho do hospital, muito preocupados com outros doentes que também era meio qualquer coisa, meio outra.' E.C.

sábado, 10 de novembro de 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

Agora que já todos me descobriram! :-)

Pronto! Já todos sabem que eu sou a abelhinha, que chatice!
Ainda não foi desta que vos consegui "dar a volta" :-)

Ora...papoilas e borboletas já são mais que muitas, tartarugas também já conheço algumas...vou ter que recorrer a outro nome fofinho, qualquer coisa como andorinha ou carochinha, que me dizem? Ou simplesmente florzinha, floribella, que giro! ou chiquitita, se calhar também não seria má ideia, piriquita, canarinha :-) (desculpem mas começaram-mer a ocorrer um sem número de "nomezinhos", vindos do nada, para ocultar a minha identidade). Humm...calimera tb é engraçado e sempre fui grande fã do calimero (estou só a pensar alto).

Ou...ah! Também posso recorrer aqueles compostos do tipo "flor afogada", "lua iluminada", ("abelhinha sem asas" esqueçe-se! ok? senão a minha mãe não pára de gritar ao mundo que eu estou sempre a cair e a levantar-me), "tua para sempre", "pétala de nenúfar" (digam lá que não é lindo?). Ou então em último caso espeto-lhe com um estrangeirismo qualquer, tipo "borrowing me" (tenho que te tirar o chapéu!), "sleepping too mutch", "eyes without green" (este parece-me bem).

Uff! Menos uma preocupação!Opções para endereço já tenho! (se for aceite, é claro) Agora quando quiser criar um blog novo (mais um? dizem vocês ), que isto é como mudar de casa, só tenho que pensar na "decoração", uma imagenzinha ali, uma cores bonitas acolá, mais umas tantas fotos e um novo perfil.

AH! O Perfil, isso é que não! Não tenho paciência, além disso o que interessa saber quais são os meus livros preferidos (estão todos alinhadinhos na estante,meus queridos) as músicas que eu ouço (já comprei caixinhas novas para organizar os últimos cd's por odem alfabética), e quem sou eu (nem eu sei :-)?

Vocês querem é ler umas coisas e uns desabafos bonitos, então se forem declarações de amor, fantástico!
Vocês ( e eu) precisam (os) de ler coisas bonitas, porque este mundo anda muito feio! Palavrinhas mágicas, pinceladas de cor e aguarela (esta já está muito batida mas fica sempre bem ;-)
Palavras de Amor, minha gente, Amor, ensinamentos, pensamentos, seja lá o que for que que nos encha a alma e toque nestes coraçõezinhos que parecem umas conchinhas fora de água, ABRAM-NAS! E TODOS FICAREMOS MELHOR!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Educação para Adultos

"Que a educação seja o processo através do qual o indivíduo toma a história em suas próprias mãos, a fim de mudar o rumo da mesma. Como? Acreditando no educando, na sua capacidade de aprender, descobrir, criar soluções, desafiar, enfrentar, propor, escolher e assumir as conseqüências de sua escolha. Mas isso não será possível se continuarmos bitolando os alfabetizandos com desenhos pré-formulados para colorir, com textos criados por outros para copiarem, com caminhos pontilhados para seguir, com histórias que alienam, com métodos que não levam em conta a lógica de quem aprende. "

FUCK, 1994

domingo, 23 de setembro de 2007

Miúdas bonitas

"Ao final de 12 ou 15 anos voltei a falar com ela ao telefone. Foi estranho. Achei-a rude e até de certo modo agressiva.

Achei que estaria num dia menos bom e que talvez a simpatia tivesse deixado ser uma das suas caraterísticas. Em abono da verdade, a minha mãe diz que não se lembra que ela fosse muito simpática.


Como diz um amigo meu, no liceu as miúdas bonitas andam sempre com miúdas feias ao lado. "É uma simbiose. As bonitas ficam, aparentemente, mais bonitas e as feias ficam com os restos". Ela era a bonita e eu a feia, ou pelo menos assim achava, mas olhando com distanciamento, tinhamos ambas sucesso nos rapazes, nunca nenhuma ficou com os restos da outra porque gostavamos de pessoas diferentes.


Talvez tenha estranhado, que ao final destes anos todos, não tenha havido pitada de satisfação pelo reencontro (telefónico) como aconteceu com outras pessoas do mesmo grupo e com quem estive este tempo todo sem falar.


Comentei com a Rute, uma amiga da época e que também fala com ela.


A Rute responde:- Deve ser contigo, comigo é brusca mas nada disso que tu dizes.

E enquanto conversava com a Rute divagavamos porque motivo ela teria este "problema mal resolvido" comigo. Para ser uma coisa tão entranhada, confesso que apenas me ocorrem cenas relaccionadas com homens.


E foi quando se fez luz.


Na altura ela namorava com o Paulo.No final do último ano lectivo em que estudamos todos juntos, Paulo ofereceu-me o seu cartão da escola onde tinha feito umas alterações. No lugar da sua foto tinha colocado um "Tou" (não sei se se lembram de uns autocolantes que saiam no Bolicao). Era o "Tou te a mirar"

Mas que culpa tenho eu? Não fui eu que comprei o bolicao.


Vistas bem as coisas, também com distanciamento, acho que se eu fosse a namorada do Paulo, nesse momento eu passaria a ser a ex-namorada do Paulo. De qualquer forma eles ainda foram (ou não) felizes durante mais 3 ou 4 anos."

sábado, 22 de setembro de 2007

HISTÓRIA


Uma História da Carochinha


Há uma pergunta que apaixona há décadas todos os automibilistas inteligentes: qual é o melhor carro do mundo a seguir ao Carocha?


O Carocha é tão bom que a Volkswagen, ao verificar que eram indestrútiveis e que haveria sempre um número suficiente para satisfazer todos os pedidos, foi obrigada a deixar de fabricá-lo. Hoje em dia, continua a ser fácil e barato comprar um bom carocha: o único automóvel metafisicamente incapaz de ser de segunda mão.


Pouco depois de acabar a produção de Carochas, a Volkswagen lançou um novo conceito de automóvel: o Golf.


Durante duas décadas resisti à tentação de exprimentar um destes carros. 20 anos é o mínimo para um carocheiro. Tudo o que dura menos que 20 anos é desprezível, considerando que é esse o período de rodagem dum VW 1200.


Há coisa dum ano arredondaram o Golf, num gesto de ternura para com a lembrança do Carocha. Decidi que tinha chegado o tempo de pô-lo à prova. Esperei que me rebocassem o Carochae, sabendo-o na segurança do parque da PSP, com vista magnífica sobre o Tejo e o vale do Restelo, dirigi-me à SIVA onde requisitei um golf.


Quando entrei no carro, senti abater-se sobre mim o peso de 20 anos, muito tempo para que tudo continuasse na mesma.


A ausência das janelinhas triangulares, que permitem um posicionamento preciso do jacto de ar, a não ser a velocidades loucas (como mais de 90 Km/h), obrigou os engenheiros da Vollkswagen a instalar o ar condicionado.


Chocou-me um pouco a tóxico-dependência da electricidade. Um Carocha ... continua

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Quero muito passar este elogio

Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão alimesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia aspessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passívelde ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia serdesmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amorcego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, sãouma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nascostas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea porsopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amorfechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor éamor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não sepercebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor éa nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."