segunda-feira, 14 de maio de 2007

6 Amigas Que Toda a Mulher Deveria Ter

Com afinidades e diferenças, elas são a família que escolhemos. Fiéis escudeiras, conhecem os nossos gostos e desgostos e sabem exactamente o que fazer quando precisamos delas. Embora a gente possa contar com as amigas nas piores enrascadas, há sempre aquela que se encaixa melhor numa determinada situação: a que ama viajar, a que consulta os astros antes de dar palpites reveladores, a que ressuscita a auto-estima... Se você tem essas companheiras, dê graças aos céus pela linha de frente poderosa! Se não tem, vá atrás das que "faltam" - porque certamente elas tornam o dia-a-dia muito mais colorido.

AMIGA QUE DIZ A VERDADE
1. É aquela que interrompe o seu discurso cheio de razão, olha bem nos seus olhos e diz: "Não, você não está certa". Sem meias palavras, mostra um ângulo da questão que não era óbvio e pronto: você ouve os argumentos e acaba reconsiderando. Porque, quase sempre,ela tem razão. De vez em quando vocês se estranham, mas logo passa. Afinal, não é qualquer pessoa que está falando. Márcia Torvelo, economista, sabe muito bem a quem recorrer quando quer ouvir a verdade. "Se me sinto injustiçada, procuro aquela amiga que não vai concordar comigo só para me agradar. Muitas vezes fico arrasada com o que ouço, mas estabelecemos uma relação de confiança tão grande que ela tem a liberdade de me dizer coisas que outras pessoas não ousariam." Para questões menos graves, essa amiga é igualmente eficaz. Quer saber se o novo corte de cabelo ficou bom? Pergunte a ela. Detalhe: amiga que diz verdades também é capaz de ouvir verdades. Isso lhe dá o mesmo direito de ser absolutamente sincera com ela. Afinal, amiga é para essas coisas.

AMIGA CHEIA DE SABEDORIA
2. Ela conhece uma taróloga ótima, freqüenta um massagista japonês e entende um pouco de astrologia, numerologia, I Ching e cabala. Se bobear, tem ainda linha direta com Deus. Acredita que o que fazemos com o outro volta para a gente e que tudo pode dar certo se quisermos de verdade. Essa amiga realmente tem fé na energia cósmica e passa essa certeza para você. Por isso, quando sente que está pessimista, a pediatra Alice Pedroso recorre a sua amiga zen. "Sei que ela vai pegar o meu mapa e descobrir qual quadratura de astros está me deixando assim. Só conversar com ela já me tranqüiliza." Mesmo sem entender bem o que significa "entregar para o Universo", você segue seus conselhos: toma um banho de sal grosso, pinga algumas gotinhas de lavanda no lençol e vai dormir. E não é que no dia seguinte você acorda melhor?

AMIGA QUE É SUPERPRÁTICA
3. Ela sempre lembra de alguém que pode quebrar o seu galho, seja um contato de trabalho, um candidato a namorado ou uma ótima costureira. Prática por natureza e generosa por vocação, ela tem expediente e adora adotar uma alma perdida. Não sabe a que médico ir? Ela indica. Precisa organizar uma festa? Ela conhece os melhores fornecedores. Está em dúvida sobre o que escolher no cardápio do restaurante? Ela decide por você. É um pouco mandona, mas deixe claro quando não desejar sua interferência e nunca terá problemas com ela. Essa amiga quer sinceramente que você seja feliz e não poupa esforços para ajudá-la. Para melhorar o clima do seu casamento, é capaz de pegar seus filhos no fim de semana só para deixar os pombinhos sozinhos. Mas atenção: essa boa samaritana não suporta a ingratidão. Tudo que espera de você (e ela merece!) é reconhecimento. Então, agradeça, agradeça, agradeça.

AMIGA QUE LEVANTA A AUTO-ESTIMA
4. Ao menor sinal de abatimento, ela entra em ação. Lembra todas as suas conquistas, enumera suas qualidades e só falta dar uma salva de palmas para animá-la. Se percebe que você está preocupada com grana, oferece dinheiro emprestado antes de você pedir. Se acha que está triste, marca uma tarde no cabeleireiro para as duas. Sempre olha a metade do copo que está cheia e tem o dom de fazê-la sentir-se querida e admirada. Se você encerrou um relacionamento ou acaba de ser demitida, convoque-a. Como um espelho, ela devolve a sua melhor imagem: a de uma pessoa que ela admira e que, se não existisse, deixaria o mundo bem sem graça.

AMIGA DE BALADA
5. Se o forte das suas outras amigas é conversar, essa prefere ação. Uma festa a fantasia, uma noitada sem hora para acabar, uma viagem bate-e-volta... Como uma adolescente, esbanja disposição para fazer coisas, não importa muito o que nem a que horas. O tempo que passam juntas é só lazer. Esqueça crises ou inseguranças - esses assuntos são da seara de outra amiga. Essa é parceira de balada. É ela que inventa uma festa-surpresa no seu aniversário, se oferece para organizar o amigo-secreto do fim do ano e fica horas na fila para comprar ingressos para o show da sua banda preferida. Tudo o que você curte ela curte também. Assim, estão fadadas a se divertir muito, sempre. Quer companhia melhor que essa?

AMIGA FANÁTICA POR COMPRAS
6. Para ela, fazer compras é uma festa. Está sempre pronta para conhecer uma loja nova, não importa se fica numa ruazinha escondida lá no fim do mundo. Endereços descolados são a sua especialidade. E adora companhia para bater perna e consumir, seja na Daslu, seja na feirinha hippie. Sem preconceito. E jamais, em hipótese alguma, perde a paciência numa liquidação. Tem olho clínico para achar peças maravilhosas no meio de tranqueira e divide seus achados de bom grado com as amigas. Não vai se incomodar se você levar horas experimentando mil sapatos para no fim escolher mais uma bota. Mesmo sabendo que você já tem três pares, ela não a recrimina. Fica solidária com a sua súbita paixão pelo novo modelo e endossa a escolha repetindo que a bota ficou o máximo. "É a sua cara", diz, animada, deixando você ainda mais feliz.

Regina Valadares

A Regina que me desculpe mas eu continuo a preferir os homens. As amigas estão sempre lá, eu sei, mas nada melhor que um homem para uma bela conversa, levantar-nos a auto-estima e até fazer compras.
As mulheres são umas chatas. Senão vejamos, tema nº1: homens. Quando me encontro com alguma amiga para pôr a conversa em dia faço sempre um rewind na minha memória porque sei que é certinho começar-me a falar do gajo de quem falamos na última conversa, ou então, na melhor das hipóteses fala-me de um "homem novidade" com quem teve um relacionamento de 2 meses encantadores mas que a abandonou sem se perceber porquê e que já soube pela "melhor amiga" que ele entretanto já está a viver com outra...haja paciência!
Há cerca de 10 anos que ouço as mesmas histórias, com algumas pequenas diferenças é certo ( agora já moram juntos passados 2 dias de se conhecerem!!! e oferecem prendas de valores ai Jesus! ficando a minha pequenina cabeça pensadora a matutar mas o que homem terá feito para a desgraçada esbanjar assim o subsídio de natal?!)

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Eu nunca li António Lobo Antunes

Foi depois de ouvir uma entrevista na RTP1, em Setembro do ano passado, que fiquei a conhecê-lo melhor e nessa noite estava capaz de ficar ali a ouvi-lo colada à televisão.
Fiquei com a certeza de ser uma pessoa de uma beleza interior sem limites e passei a ser sua admiradora.

Numa entrevista afirmou: "no fundo, a nossa vida é sempre uma luta contra a depressão e, em relação a mim, escrever é uma forma de fuga ou de equilíbrio… Por outro lado, há a sensação de qualquer coisa que nos foi dada e que temos obrigação de dar às outras pessoas: quando não trabalho sinto-me culpado. Há ainda a sensação do tempo, ou seja, ter na cabeça projectos para 200 anos e saber que não vamos viver 200 anos..." E porque a vida, para mim, é mesmo isto, tinha que mostrar-lhe que estou consigo neste momento menos bom e o quanto fiquei decepcionada com aquilo que a vida nos guarda, especialmente a quem dá tanto de si aos outros.

Como diria uma amiga "são provas..." Se o são ou não, não sei. Mas que a força interior é o que mais conta nestas situações, não duvido. E acima de tudo é preciso que aqueles que nos rodeiam não nos façam sentir uns coitadinhos mas continuem a acreditar em nós.

Como não gosto de falar de doenças ( e muito menos escrever sobre elas) prefiro pensar que o António (permitam-me que o trate assim) está apenas a fazer uma curta pausa no seu trabalho de psiquiatra (sim, que o escritor nunca pára) para aprender e daqui a uns tempos nos trazer novidades. Por mim, continuarei atenta e prometo tornar-me uma humilde e assídua leitora se vencer esse bicharoco que o veio visitar.

Deixo-vos com um excerto delicioso da obra "A ordem natural das coisas" :

ATÉ aos seis anos, Iolanda, não conheci a família da minha mãe nem o odor dos castanheiros que o vento trazia da Buraca, com as ovelhas e os chibos que galgavam a Calçada na direcção do cemitério abandonado, tangidos por um velho de bóina e pelas vozes dos mortos. Ainda hoje, meu amor, estendido na cama à espera do efeito do valium, me sucede como nas tardes de verão em que me deitava, à procura de fresco, num bairro de jazigos destroçados: sinto um ornato de sepultura magoar-me a perna, oiço a erva das campas no lençol, vejo os serafins e os Cristos de gesso que me ameaçam com as mãos quebradas; uma mulher de chapéu plantava couves e nabos nas raízes dos ciprestes; os badalos dos cabritos tilintavam na capela sem imagens, reduzida a três paredes calcinadas e a um pedaço de altar com toalhinha submerso em trepadeiras; e eu observava a noite avançar lápide a lápide, coagulando as bênçãos dos santos em manchas de trevas.

Mas ontem, por exemplo, abraçado ao teu corpo enquanto aguardava que a indulgência do remédio me libertasse dos sobressaltos da memória, veio-me à ideia um crepúsculo antigo, em cinquenta ou em cinquenta e um, com os canteiros do jardim regados de fresco, o Senhor Fernando, em camisola interior, a fazer ginástica à varanda, e um reboliço de gatos à porta da cozinha, comigo empoleirado no muro a farejar as brisas de Monsanto e a escutar os cavalos dos monárquicos vencidos que baixavam a serra (conforme me contou a Dona Anita que era menina nessa altura) a caminho das celas da Penitenciária.

Não entendo por que motivo, querida, nunca te interessaste pela minha infância: sempre que falo de mim encolhes os ombros, a boca torce-se, as pálpebras prolongam-se de desdém, rugas escarninhas surgem por detrás da franja do cabelo loiro, de modo que acabo por me calar, envergonhado, a colocar os copos, os pratos e os talheres na mesa do almoço, enquanto a tua tia tosse na despensa e o teu pai roda os botões do televisor em busca das estridências da novela. E todavia, Iolanda, logo que adormeces, mal o teu rosto, amolgado na almofada, readquire a inocência do presépio de outrora, tal como te vi, pela primeira vez, na pastelaria à esquina do Liceu, quando os teus dedos sujos de tinta e os teus cadernos escolares me comoveram de uma alegria sem sentido.

logo que adormeces e uma brancura de olmo compássaros nos atravessa o quarto, arengo sem que me troces, converso, pairando sobre ti, com as tuas palmas inertes e as tuas coxas indefesas, e a casa onde morei antes da família da minha mãe surge da noite, nascida de uma imperfeição do espelho ou da gaveta da cómoda em que a nossa roupa se mistura com ninhos de traças e maçanetas de cobre, desde que há meses me ordenaste Vem e eu me apresentei, com o guarda-chuva e duas malas gastas, neste andarzinho da Quinta do Jacinto, em Alcântara, para explicar que sim, que tinha mais trinta e um anos do que tu mas o emprego do Estado, Senhor Oliveira, não é mau de todo, e claro que pagaria a electricidade, a renda e a despesa do talho.

Meu amor, ouve. Talvez me compreendas no teu sonho, talvez o teu corpo se liberte da ironia a meu respeito e me queira, talvez as tuas pálpebras, agora doces, estremeçam se disser como gostaria que mexesses e me deixasses mexer-te, talvez encostes a mim o tufo de pêlos do teu ventre, e os joelhos se abram devagar sobre uma húmida, lisa, tenra maciez de gruta que aprisiona o meu desejo numa firmeza de nácar. Mas desde o verão que me ignoras, apaixonada por um colega de turma de acne aceso e barba a despontar, que nos visita a pretexto de dúvidas de Geografia ou Matemática e me aperta as falanges, até estalar os ossos, num cumprimento cruel. Reduzido a um vago parente de colete, gravata e farripas grisalhas, incapaz de um pino, incapaz de ler sem óculos, incapaz de correr vinte metros por causa das hesitações do coração, incapaz, em suma, de competir com aquele miúdo borbulhoso, maior do que eu, sem barriga, sem calvície, sem placa, cujos dezoito anos me derrotam, aguardo a noite, numa imobilidade de tarântula, quando o teu corpo, temperado pelo azeite e pelo vinagre do dentífrico e do perfume barato, encolhe a fim de se ajeitar no colchão, quando a cadência do peito se torna sigilosa como a dos barcos, quando os teus lábios, afunilados pelo amuo do sono, sopram um beijo que se me não destina, aguardo a noite, medindo a densidade das trevas pela insónia do teu pai e a bronquite da tua tia do outro lado do tabique, e recomeço a minha história no episódio em que a deixei, regressando, Iolanda, à casa onde vivi antes de conhecer a família da minha mãe, com os seus mil corredores, os seus mil esconsos, os seus mil esconderijos, a casa, a casa,

a casa, meu Deus, cercada de grazinas sobre a falésia e os vapores do oceano, de portadas batidas pelo vento e cortinas em pedaços, com o anúncio Hotel Central em semicírculo na fachada e os três polícias secretos, sempre de negro, de braço erguido na saudação nazi, que bebiam, na salinha de estar, a cevada da manhã.

É então que me lembro dos equinócios que transviavam as arvéolas poisadas na cristaleira, nos enfeites do corrimão e no torpor das sinusites, e no temporal a varrer o larguinho em frente da pensão, com um antiquário às escuras e vitrinas de leques espanhóis e de budas remendados, é então que me lembro da garagem do mecânico albino que consertava os automóveis no verão, arrastando-se para a barriga dos motores. Os mochos, Iolanda, esmagavam-se no postigo do meu cubículo, pegado ao compartimento da cozinheira com uma retrete ao pé da cama e a vazante sempre a ferver no ralo, e a lotação do hotel éramos nós os dois mais a minha madrinha e os três polícias secretos, embora, quando chegava Julho, limpassem a praia de detritos, um calor amargo viesse tranquilizar as ondas, e de imediato a cozinheira e a velhota se revezassem no vestíbulo, de crochet no colo, na ilusão de que um táxi milagroso desembarcasse um grupo de americanas transidas, derrotadas pela angústia dos pinheiros e as molas dos estofos.

Se penso, meu amor, na vilazinha da meia dúzia de chalés tombados, sem proprietário, onde as aranhas fiavam o abandono, em equilíbrio sobre as ravinas e o grito das aves, e a comparo com este apartamento de Alcântara junto à passagem de nível do comboio e aos navios do Tejo que nos roçam as fronhas coroados de delfins, as minhas pernas procuram, sem que me dê conta, o côncavo dos teus joelhos, e comprimo o peito contra as tuas costas numa súplica de protecção que me confunde por me parecer ridículo um homem de quarenta e nove anos em busca de auxílio numa rapariguinha de dezoito ocupada a sonhar com arcanjos de motorizada vestidos de blusão de cabedal, acelerando, para a salvar, do velhote inofensivo que sou, atarantado de timidez e de surpresa. E contudo, Iolanda, não julgues que a minha vida numa aldeola da região da Ericeira em que os eucaliptos gotejavam as lágrimas de um desgosto sem cura não era agradável: era agradável. Quando a ciática não a afligia, descarnando-a de sofrimento no colchão, a cozinheira jogava às cartas comigo no quarto da caldeira avariada, enquanto os polícias secretos estremeciam o soalho sobre as nossas cabeças, a combinarem torturas e prisões. Em certas madrugadas de outono o mar e o vento amansavam e distinguia-se uma língua de areia logo povoada de toldos, de cabazes de comida, de pirâmides de chinelos e de famílias em roupão. Mimosas brotavam dos penedos e nos chalés flutuavam as candeias dos habitantes de outrora, até que uma camioneta de carreira arrebanhava os veraneantes que seguiam a chocalhar para Lisboa, à medida que as vagas engoliam a praia, o céu se cerrava em nuvens de tempestade com arestas de gaivotas gritando pelas rochas, as copas das árvores libertavam cardumes de pintarroxos dementes, e a minha madrinha, indiferente à tempestade, pegava na agulha de crochet e sonhava com americanas extravagantes, vestidas de sandálias e panamá como para uma expedição aos trópicos.

Um comboio abriu a noite perpendicular aos candeeiros da Avenida de Ceuta e paralelo ao rio bordado de armazéns, de pontões, de gruas, de guindastes, de contentores e de veículos de carga, a aguardarem a lúcia-lima da aurora e os operários que caminhavam no sentido do Tejo, custosos de distinguir na hesitação do sol.

O comboio, meu amor, deslocou-se rumo ao Estoril e a Cascais (do sítio onde moramos lobrigo na distância vilas que seguram nos dedos albatrozes e paquetes) e o nosso andar da Quinta do Jacinto vibrou como se um remoinho de bielas o fendesse de golpe, sacudindo nas prateleiras os ursos de barro e os elefantes de vidro, os palhaços de pano e o Wagner cromado, e fazendo cair, da cómoda para o chão, a caixita esmaltada em que guardas os anéis, as pulseiras, e os brincos de prata fingida que te dou no Natal, se me sobeja algum dinheiro do subsídio do Estado. O comboio deslocou-se para o Estoril enquanto retiniam campainhas e ampolas se acendiam e apagavam, desarrumou os prédios de Alcântara e tu rodaste no teu sono, sem deixar de dormir, até te voltares para mim num gemido infantil. Os tornozelos apertaram-se nos meus, e sem cessar de falar a minha boca aproximou-se traiçoeiramente, furtivamente, cautelosamente da tua: cheirava-te o hálito, cheirava-te o cabelo, cheirava-te o pescoço, cheirava as pregas da cintura, as pregas da barriga, e ia acariciar-te o púbis, sentir a textura de que és feita, quando o gato, assustado pelo frenesim do meu júbilo, pulou da colcha enovelando-se num candeeiro cujo quebra-luz se desfez aclarando por um segundo a mobília do quarto. E de pronto os teus cotovelos se agitaram, o corpo desviou-se rolando as ancas e as espáduas que se desprendiam das alças, e fiquei sozinho a salivar desgostos, embalado pelas carruagens que galopavam para os esgotos, as praias e os barquitos da Linha, embalado, meu amor, pelas vagas do rio, a segurar nas mãos, numa atitude de prece, a ausência de uma nádega.

[…]

domingo, 29 de abril de 2007

Amor e Tesão

"Os relacionamentos amorosos, sejam eles somente sexuais ou aqueles que viram namoro ou até mesmo casamento têm um componente em comum: o tesão. Os indivíduos, ao se encontrarem, são movidos pelo tesão que o outro inspira. Os olhares, os primeiros contatos são impelidos por esta “química” que acontece entre duas pessoas. O elemento tesão não é universal, funciona de formas diferentes para pessoas diferentes. O que gera um grande interesse para uns não necessariamente será para outros. Por isso, não existem modelos de beleza ou de pessoas que sejam unanimidades.
Quando duas pessoas se conhecem, antes mesmo de trocarem palavras, elas são chamadas uma para a outra por certas características físicas que são agradáveis. Se acontecer do tesão aparecer, acontecerá o sexo ou o relacionamento. Caso contrário, este encontro poderá se tornar uma grande amizade ou nada. Para acontecer o sexo, é imprescindível que haja a vontade de praticá-lo com aquela pessoa.
O tesão não é somente físico, ele pode ser psicológico, como por exemplo, um bom papo ou uma companhia agradável. E ele pode surgir no decorrer da relação que está se estabelecendo entre essas pessoas. Quantos já foram surpreendidos pelo desejo de que aquele amigo seja mais que amigo? Ou quantos se pegaram interessados por um colega que antes não prestavam tanta atenção? Isso pode acontecer, quando o tesão surge, a relação passa pra outro nível, proporcionando o encontro corporal entre duas pessoas.
Na mesma linha de pensamento, quando o tesão acaba, a relação pode estar fadada ao insucesso. Quando um dos parceiros não sente tanta vontade de estar com outro, não sente necessidade de sexo, ou ainda, procura sexo com outras pessoas, é o tesão por aquele indivíduo que acabou. E isso é tão real que muitos casamentos já terminaram por causa disso.
É claro que o tesão é compartilhado com outras coisas, como a vida afetiva saudável ou o bom relacionamento entre a dupla, mas neste artigo será explorado somente a questão do desejo, da química, do tesão propriamente dito. E estes elementos não são racionais, são parte do inconsciente de cada um e de como ele é ou não receptivo ao outro. Por isso que existem as pessoas que chamam ou não a atenção da outra, por isso existem as ficadas, os amores, os casamentos. Sem tesão, os indivíduos teriam relações furtivas uns com outros, mas não se manteriam em um relacionamento.
O próprio prazer sexual tem a ver com a questão do tesão. Se o desejo não é grande, o prazer pode não acontecer, ou ser menor do que se esperava. Assim como a maioria das questões das vidas dos indivíduos, a vontade de estar lá, de realizar determinada ação é a mola propulsora pra que tudo aconteça. Nos relacionamentos, esta mola é o tesão.
Por melhor que possa ser o outro, sem tesão, a relação não passa de amizade. Porém, se ele existir, é muito difícil que não aconteça uma relação sexual, ou até mesmo uma relação mais profunda. Tesão e amor acabam andando juntos nas relações mais duradouras."

Anne Griza

quarta-feira, 25 de abril de 2007

25 de Abril

Na noite passada o meu sono esteve inquieto e o corpo não pedia descanso
Corri à cozinha para beber um copo de leite e liguei a tv
Tive a sorte de ao escolher o canal 2 e poder ver um programa que passava sobre a revolução

Fantástico!
Ouviam-se testemunhos de variados tipos e despertaram-se a atenção especialmente os seguintes:

  • o preso político que quase ofereceu a vida por um ideal e que hoje está desempregado
  • a retornada de Angola que chora ao lembrar a vida que deixou para trás e que nunca mais recuperou
  • a trabalhadora do campo nas searas do alentejo que hoje é empregada doméstica
  • o empresário que fugiu para o Brasil com a família e voltou 4 anos depois

Foi bonito ver o alívio e entusiasmo do povo gritando "O povo unido já mais será vencido".

Gostei também de recordar algumas músicas que hoje são emblemáticas e que ficarão para sempre na nossa memória, mesmo na daqueles que como eu aprenderam a ouvi-las perante a alegria dos nossos pais.

Foi comovente assistir à libertação dos presos que se mantiveram firmes lutando contra alucinações e torturas, ao regresso dos combatentes a 31/12/74 que fugindo do ruído do fogo de artifício pensando em bombardeamentos.

Mas decepcionou-me ao constatar que quem nos governa hoje não lutou por este regime nem parece seguidor daqueles que o fizeram. A liberdade é boa, para mim sempre o foi porque não tenho termo de comparação, mas o desemprego e as condições de vida da minha geração não parecem frutos de uma revolução libertadora de uma ditadura.

Somos filhos de pais que educaram licenciados (obrigada ao sr. 1ºministro por isso) e contraiem empréstimos com a maior das facililidades, mas serão estas as nossas oportunidades?

terça-feira, 24 de abril de 2007

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância,eu estava no lugar certo,na hora certa,no momento exato.
E, então,pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é... Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meucrescimento .
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável.
Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo.De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o Futuro.
Agora, me mantenho no presente,que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez...
Isso é...Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é....Saber viver*

C. Chaplin

terça-feira, 17 de abril de 2007

Amigos

Há já alguns anos que penso nisto
Que há já muito tempo vivo só comigo
Que não sei o que é cultivar uma amizade
Que não sei estar lá
Que não estão comigo

Sempre me dediquei a outras conquistas
egoístas, sempre separei mais do que uni
Que sempre fuji daqueles que me procuram
Que fujo muito de mim própria

Que tenho medo, que tenho muito medo de aceitar
Que não consigo aceitar que afinal foi tudo diferente
Que não me tornei a mulher que queria ser
Que não fui a filha, a irmã que eles queriam

Que não entendo porque construíram a minha vida
Que não entendo porque deixei que o fizessem

Porque me tenho que limitar aquilo que não quero
Porque sou igual aqueles que critico

Porque começo a perder as forças no momento que devia ser feliz
Porque escolho sempre as pessoas erradas
Porque tenho este orgulho que me persegue

Porque insisto nos meus sonhos quando já nada resta deles?
Porque sinto falta de ser amada, se não sei amar?

sábado, 14 de abril de 2007

A lição da borboleta

"Um dia uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou-se e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.
Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.
Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.
Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o resto do casulo. A borboleta então saiu facilmente.
Mas o seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas.
O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo qeu iria se afirmar a tempo.
Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida restejando com um corpo murcho e asas encolhidas. ela nunca foi capaz de voar.
O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendeu, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura é o modo pelo qual Deus faz com que o fluído do corpo da borboleta vá para as suas asas, de forma que ela fique pronta para voar logo que esteja livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.
Se Deus nos permitisse passar através das nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iriamos ser tão fortes como poderiamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

Eu pedi forças... e Deus deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria... e Deus deu-me problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade... e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem... e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor... e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores... e Deus deu-me oportunidades.

Eu não recebi nada do que pedi... mas eu recebi tudo de que precisava."